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A fábrica de tecidos em Carioba

A fábrica de tecidos em Carioba
A indústria de fiação e tecelagem de algodão se criou na esteira do modesto surto de exportação do algodão, registrado na década de 1860. Mas entre as décadas de 1870 e 1880, todos os nove cotonifícios eram lucrativos.
Os estudos indicam como fundação da fábrica de Carioba o ano de 1875 pelos irmãos Antonio e Augusto de Souza Queiroz, brasileiros descendentes de portugueses e grandes fazendeiros de café, em sociedade com Guilherme Ralston, engenheiro norte americano que também era da família. Nessa época, eles fabricaram algodão grosso para vestuário de escravos e sacos para empacotar ou enfardar materiais diversos. Também lançaram a casemira carioba -, casemira é um termo genérico para alguns tecidos de lã que usam ligamento em sarja e usados na confecção de ternos, saiais e tailleurs.

Posteriormente em 1882, a fábrica foi vendida aos irmãos ingleses Wilmott, nessa época, os produtos produzidos foram premiados e a fábrica era tida como a segunda melhor do Estado. Os produtos produzidos eram casimira de cores variadas, algodão branco (lona, riscado, trançado e fino), toalhas, sacos, brins, fios (para pano grosso, de cores para meias, para rede, pavios de velas, fios em meadas e barbantes em cores. A empresa faliu anos depois por motivo de doença e falecimento de um dos irmãos.
Em 1901, os irmãos Muller e o sócio inglês Rawlinson compram a massa falida e produziram tecidos de algodão, em riscados, zefires, brins e lonas. Mas entrou em declínio no final da década de 1930.
Em 1944, os irmãos Abdalla compraram a fábrica e produziram tecidos de algodão em riscados e brim e tecidos de lã, a qual foi fechada por eles no final de 1970.

A indústria de Carioba teve grande êxito durante a sua trajetória e alguns estudos afirmam que além de ser a primeira indústria instalada no município de Americana, é dela a qualificação dos primeiros tecelões. Estes operários iniciaram o pólo têxtil da cidade ao realizarem o sistema de fação. Os teares, instalados nos fundos dos quintais de suas casas – seguindo o padrão inglês (fábrica só com fiação e a produção do tecido em outro local) garantia às pessoas o seu sustento através da forma de prestação de serviços, pois a fabrica fornecia os fios e os rolos que eram transformados em tecidos pelos tecelões e para a fábrica de Carioba – mais produção. Essa terceirização de serviços foi um caminho para que muitos destes tecelões se tornassem proprietários de indústrias no futuro e provocou a vocação do município para a atividade têxtil.

Além disso, em torno da fábrica construiu-se uma vila operária mais famosa que a própria cidade de Americana.
No início dos anos de 1980, após anos abandonada e fechada, os salões passam a pertencer à Prefeitura que os locam para pequenos empresários da cidade.
Os salões destruídos pelo fogo em 05 de setembro de 2020 eram os prédios mais antigos e datavam do final do século XIX. Dentro de suas paredes há muitas histórias, emoções e sonhos. Uma perda irreparável para o nosso patrimônio histórico! Um alerta para preservarmos o que restou! Um alívio? Sim, ainda temos nossas memórias. Conto com a sua!

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